Uma ação corriqueira na clínica odontológica: a anestesia é usada para quase todos os procedimentos que o dentista realiza. Recentemente, uma triste notícia do falecimento de uma jovem por causa de anestesia odontológica, mostra mais uma vez que todo cuidado é necessário.

anestesia odontológica

Sites de notícias contam (AQUI) que a jovem de 23 anos começou  a passar mal logo depois de ser anestesiada em um consultório odontológico para resolução de um problema em um dente quebrado. A própria dentista levou a paciente para casa,  suspendendo o procedimento. Logo, familiares levaram a moça ao hospital, onde ela ficou por quase 24 horas internada. Depois foi transferida para uma UTI em outro hospital, onde não resistiu. A reportagem do link acima é incisiva em afirmar que a jovem sofreu uma reação alérgica após ser anestesiada. 

Dentistas administram anestesia inúmeras vezes, quase todos os dias. A anestesia local para procedimentos na boca é extremamente segura. Com alguns cuidados básicos, pode-se evitar o pior, como ocorreu no caso relatado acima. De maneira alguma estou julgando o ocorrido. Sabemos que, com certeza, a polícia vai investigar todo o caso, pois a moça foi a óbito quase um dia depois de tomar a anestesia. 

– Anamnese é indispensável: Aquela ficha inicial que o paciente preenche é a base de todo o nosso tratamento. Ali devem constar a identificação do paciente, as doenças sistêmicas que a pessoa possui, histórico médico familiar, as alergias e os dados sobre a saúde da boca. Existem casos que nem o paciente sabe que tem alergia a certos medicamentos, mas isso precisa ser perguntado para resguardo do dentista em um caso como o que houve com a moça em Santa Maria, no Distrito Federal. 

– Observar o paciente: Sempre observar como o paciente reage enquanto a anestesia é aplicada. Perguntar se o paciente está bem é de praxe. Perceber se há taquicardia ou mudança na respiração do paciente também é essencial. Se logo no primeiro tubete houver algum sintoma preocupante. Por isso que anestesia se aplica devagar, com critério e cuidado. Uma outra boa dica é usar tubetes de vidro que permitem um melhor controle da injeção do anestésico.

– Usar carpule com refluxo: Outro ponto chave para uma boa anestesia. O profissional para de injetar o líquido por um momento e observa se há sangue dentro do tubete. Quando isso acontece, pode ser indicativo de que a agulha está dentro de um vaso sanguíneo, onde ela não deveria estar. Nesta hora, a agulha pode ser deslocada para que o líquido anestésico não seja injetado por inteiro pela via endovenosa. Se houver uma injeção acidental no vaso, o paciente pode perceber uma taquicardia leve que pode durar até 10 minutos. Isso acontece de vez em quando e é comum. 

– Saber qual anestésico usar: o mercado nos disponibiliza vários tipos de sais anestésicos e vaso constritores combinados. De acordo com a anamnese, escolher o melhor anestésico para cada caso. Sempre moderar na quantidade, sem pecar pelo excesso ou pela falta. Mais uma vez, é bom frisar que é mais interessante esperar alguns minutos após a injeção do primeiro tubete, para detectar algo de errado que possa estar ocorrendo. Caso esteja tudo em ordem, aí sim continuar com os tubetes adicionais. Geralmente, Lidocaína com Epinefrina 1:100.000 é o anestésico de eleição pelos dentistas brasileiros para a  maioria dos procedimentos.  

– Usar a técnica anestésica correta, que corresponda ao procedimento que será feito. Às vezes é melhor entrar direto com uma técnica pterigomandibular do que anestesiar o mentoniano, por exemplo. Outras vezes, pode optar por um bloqueio de uma área menor. Cada caso deve ser estudado antes, individualmente.

Você pode nos ajudar nos comentários caso você tenha alguma outra dica relacionada às anestesias odontológicas.

Para saber mais – CARTILHA DE ANESTESIA – Prof. Stanley F. Malamed

Um Abraço,

Equipe Dicas Odonto